No próximo dia, 03 de Outubro, às 16h, no Espaço Mira.
Os Espacialistas
Curadoria: Inês Moreira
Um estaleiro encerrado não é percebido como obra. Um conjunto de máquinas industriais desactivadas estão envoltas em plástico negro e aguardam pela abertura de um museu. Um grupo de arquitectos entra e cria novos espaços, sem qualquer reconstrução, trazendo performativamente novas formas, narrativas e vozes às ruínas por onde passam. É assim que o colectivo Os Espacialistas vem desenvolvendo estratégias de observação, intervenção e de registo dos espaços que ocupam e transformam de modo efémero com a presença dos seus corpos estilizados.
Explorando um léxico codificado e próprio – os exercícios ginásticos de espaço, os esquiços fotográficos, o kit espacialista, o aparelho reprodutor artístico – constroem um conjunto de ferramentas e técnicas com as quais trabalham tridimensionalmente para a câmara fotográfica. Interessa compreender as suas tácticas e o modo como vêm transformando estes espaços: a sucessão de planos, a profundidade de campo, a composição geométrica, a ambiguidade de escala, são algumas das suas técnicas de
composição espacial.
A efemeridade das imagens de Os Espacialistas, tem sido escrita, e inscrita, numa colaboração criativa próxima de Gonçalo M. Tavares - o escritor cria literariamente sobre as suas criações visuais, expandindo pela palavra e a linguagem as espacializações dos seus corpos e gestos. A continua translação dos espaços que esquiçam e transportam em imagens fotográficas, e a sua posterior anamorfose em palavra, torna os seus espaços, imagens e vozes, dissonantemente, pós-arquitectónicos.
No projecto das Fábricas da Levada de Tomar, os Espacialistas auscultam os espaços, os objectos e a luz, descobrindo os sons que os atravessam. Na série de imagens expostas no Espaço Mira encontramos um “grito” mudo que perfura o edifício nos seus diversos pisos e o interliga. Que som é este, que voz é esta? Uma estratégia para fazer ressoar os sons do passado, das máquinas, do trabalho? A expressão de cansaço dos corpos saturados que continuam a experimentar novas composições? O que nos diz esta voz? De algum modo, a fotografia torna-se curta e o som entra nestas imagens, expondo a corporalização (paisagística) não só do gesto mas também da palavra.
Inês Moreira, 2015
[O projecto exposto foi desenvolvido em residência artística nas moagens Mendes Godinho, no complexo de Fábricas da Levada, em Tomar, durante o período de obras
de recuperação do edifício e no âmbito da exposição colectiva “Há Trabalhos na Fábrica” apresentada no próprio complexo industrial em Maio de 2014 com o financiamento do projecto Europeu Materiality].
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Programa de conversas:
17 outubro | 18h
"Encontro com o livro de Gonçalo M. Tavares"
Leitura conduzida por Dália Dias
31 de Outubro | 18h
"Atlas do Corpo e da Imaginação"
Conversa entre a literatura e a arquitectura com
Gonçalo M. Tavares e Luis Baptista [Os Espacialistas]
Moderação: Inês Moreira
(evento co-produzido com a Câmara Municipal do Porto)
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Sessões de trabalho paralelas: o grupo de trabalho sobre espaços pós-industriais e ruínas reunir-se-à nas 3ªs feiras, dias 13, 20 e 27 de Outubro, entre as 15h-18h30 para visionar e debater filmes relacionados com o tema. As sessões serão apenas abertas a investigadores na área, para mais informações contactar via email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
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